O AMOR
De todos os sentimentos que o homem é capaz de sentir, o mais nobre e poderoso é o amor.
“Amai uns aos outros”, disse Jesus; “ama ao próximo como a ti mesmo”, ensina o Antigo Testamento. Ainda há pouco, dizia Renato Russo: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há...”.
Ouso afirmar que a palavra amor, assim como o nome de Deus, inúmeras vezes foi mal empregada, quando não intencionalmente mal utilizada, invariavelmente com fins egocêntricos.
O Amor (sim, com “A” maiúscula mesmo!) é por definição a vibração, a essência divina, e foi com Amor incondicional que todos nós fomos trazidos à existência por Ele.
Nos fora dado o Éden, que segundo a Bíblia seria um jardim de maravilhas, onde nada faltaria a nenhuma espécie, e todos viveriam em profunda harmonia.
A Cabala nos explica que o paraíso não foi um jardim físico, mas o estado de consciência onde Deus derrama todas as suas bênçãos de forma plena e infinita a toda a Criação, de forma que não precisássemos nem pedir alguma coisa, pois imediatamente seríamos saciados desse desejo.
Entenda-se por bênçãos; amor, sabedoria, saúde, harmonia, paz, felicidade, fartura, prosperidade, e muito mais!
O Amor incondicional de Deus por nós permitiu que este mundo físico fosse criado, para atender ao nosso pedido mais caro de passar a merecer suas bênçãos, ao invés de recebê-las sem esforço de nossa parte.
Mas, como um homem de negócios que viaja a trabalho para fechar um importante contrato, e que, no entanto, esquece de seu objetivo durante a viagem e se comporta como um turista, muitos de nós, apesar de termos vindo para evoluirmos espiritualmente, parecemos estar aqui a passeio. Ao fim de nossas vidas, nos damos conta de que nosso Livro da Vida foi deixado quase todo em branco.
Possessividade, ciúmes, crimes passionais, e outros comportamentos destrutivos são deformações, resultado da mal compreensão do que seja o Amor.
O amar não prende, mas liberta; não quer o outro para si, mas se quer para o outro; não destrói, mas edifica. Enfim, amar é melhor que ser amado.
Por que amar, que exige de nós tanta compreensão, tolerância e outros sacrifícios é melhor do que ser amado?
Existe um termo no judaísmo, mas que se aplica a todos, que é a “Devekut”, significa “adesão”. Esse conceito explica que para voltarmos a receber as bênçãos divinas como o fazíamos nos primórdios, precisamos “imitar” a natureza divina, que é compartilhar, amar incondicionalmente.
É hora, mais do que nunca, de se refletir sobre o real significado do Amor.
No próximo dia 01 de Outubro, os judeus celebram Yom Kipur, o dia do perdão, período importantíssimo na vida ritual-espiritual judaica.
Nesse período jejua-se, reflete-se sobre os atos e pensamentos destrutivos que tivemos e alimentamos durante o ano que passou, e pedimos perdão a quem humilhamos, causamos dor ou infortúnio.
Convoco a todos, mesmo os não-judeus, a começarem a perdoar.
Comecemos por nós mesmos. Aprendamos a nos amar.
